1 ano sem Sérgio Mangiullo, torcedor símbolo do Juventus!

Sérgio Mangiullo: o amor do torcedor que não cabia na kombi 

Taxista de profissão, Serjão viu a Ju-Jovem, do Juventus, minguar de 785 para 20 adeptos, até virar a torcida de um homem só

O Juventus desperta toda a simpatia dos paulistanos graças a sua tradição, mas não é fácil torcer por um time que luta pela sobrevivência nas últimas divisões do futebol paulista. É nessas condições adversas que surge o herói grená: Sérgio Mangiullo.
Torcida do Juventus na kombi | Crédito: Ricardo Corrêa
Mangiullo nasceu em 17 de outubro de 1951. Seu pai era juventino de primeira hora e levava o garoto todo domingo ao estádio da rua Javari. Sérgio pertenceu à geração que viu o futebol brasileiro se centralizar em um clube, o Santos, e em um homem, Pelé. De tanto ver o Peixe ganhar do Juventus, Serjão virou fanático — pelo Juventus. Aos domingos, vestia a camisa grená e sua mulher, Teresinha, era tomada pelo ciúme: “Você pode ficar só com o futebol”.
Com seu sotaque italianado, curtido pelos anos da Mooca, criou a torcida organizada Ju-Jovem. Começou muito bem. No dia 6 de setembro de 1981, foi até o Palestra Itália esticar a faixa oficial da torcida nas arquibancadas. O Juventus detonou o Corinthians por 3 x 0, com show de Ataliba.
A torcida chegou a ter 785 torcedores. Mas se afundou com o clube. Em 1988 a Ju-Jovem cabia numa Kombi. Onde o Moleque jogasse, 20 torcedores féis se espremiam na perua e cruzavam as estradas paulistas. Mangiullo era o motorista.
E lá ia Serjão com seu cabelo jovem guarda (que lhe rendeu o apelido de Zacarias) até o estádio Conde Rodolfo Crespi. Deixava a única bandeira grená da torcida, com um grande “J” no meio, com a criançada e ia para trás do gol xingar o goleiro do outro time (“daí ele treme e o Juventus marca”). Vendia rifas na saída para sustentar as viagens pelo interior.
O jornalista Rodrigo Carvalho Leme descreve uma tarde ao lado de Mangiullo a caminho de um jogo contra o Fluminense, em 1998. É cena de comédia italiana: “Da rua Javari até Osasco ele soltou um milhão de ‘nego’, ‘belo’, ‘orra’. Chegamos em Osasco. Fim de jogo, 1 x 0 para o Juventus. O Serjão se altera de uma hora para outra: ‘Vamo embora que os caras do Fluminense querem pegar a gente!’ Eu via a torcida do Fluminense saindo tranquilamente. Em nome da diversão, entrei no clima. Eu vi velhinhos, crianças, todo mundo correndo loucamente para o ônibus. E o motorista ainda esperou algumas pessoas entrarem antes de dar partida tranquilamente. Parecia estar acostumado com a paranoia da saída de jogo”.
Com o tempo, até a Kombi se esvaziou. E Sergio se tornou o “presidente da torcida de um homem só”. O que poderia ser motivo de gozação se transformou num símbolo de resiliência e fidelidade. Taxista de profissão, não desistia nunca.
No domingo, 28 de abril de 2013, Sergio Mangiullo morreu vítima de um AVC. Com ele se foi a ideia de um futebol romântico. Do tempo em que todo o amor a um time cabia numa Kombi.(Texto Placar)

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